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Manejo da Dor e Qualidade de Vida
Conheça os principais tipos de curativos e entenda como escolher a cobertura mais adequada conforme as características e necessidades da ferida.
Diferente do que nos ensinaram, escolher uma cobertura para uma ferida não é tão simples assim. Afinal, não é só checar o tipo de lesão, mas também, é preciso verificar a quantidade de exsudato, as condições do leito, o tecido presente e o estado da pele ao redor. Todos esses parâmetros ajudam a definir o que aquela ferida precisa naquele momento.
É por isso que conhecer os diferentes tipos de curativos faz diferença na prática. Isso porque cada cobertura tem características próprias, e entender como elas se relacionam às necessidades da ferida ajuda a cuidar melhor e com mais estratégia do machucado, e até da pele. Confira como os curativos funcionam.
O curativo faz parte do cuidado com a ferida. Dependendo da cobertura escolhida, pode ajudar a proteger o leito, que é o lugar onde a cicatrização ocorre, controlar o exsudato, líquido natural decorrente desse processo regenerativo, e manter condições favoráveis para a cicatrização.
Mas a cobertura é apenas uma parte dessa estratégia. A causa da ferida, as condições clínicas do paciente e o estágio de cicatrização também influenciam a escolha.
Na prática, entender o que a ferida precisa pode auxiliar. Por exemplo, uma lesão com muito exsudato apresenta uma necessidade diferente de um leito seco. O mesmo acontece quando há tecido desvitalizado, granulação ou sinais de infecção. Nesses casos, a resposta ajuda a direcionar a escolha da cobertura mais apropriada.
A avaliação começa pela própria ferida. Localização, profundidade, tecidos presentes, quantidade e características do exsudato, além da condição da pele ao redor são alguns dos pontos que ajudam a orientar o cuidado.
A causa da lesão também importa. Uma ferida aguda pode ter necessidades diferentes de uma ferida crônica, segundo a National Library of Medicine. Exemplo disso são as úlceras por pressão, especialmente quando existem condições que continuam dificultando a cicatrização, como o decúbito prolongado.
O leito da ferida traz outras pistas. Tecido necrótico, esfacelo e tecido de granulação indicam cenários diferentes. Alterações no exsudato, odor e aspecto da lesão também precisam entrar na avaliação.
A análise das cicatrizações precisa ser feita de forma periódica, até porque a ferida muda na medida que vai sendo tratada, e a cobertura precisa acompanhar essa evolução.
Há diferentes categorias de coberturas, com propriedades que podem atender a necessidades distintas. Entre elas estão espumas, alginatos, hidrocoloides, coberturas com prata e produtos de alta capacidade de absorção.
Conhecer essas diferenças ajuda na tomada de decisão. Mas, vale reforçar, que não há uma correspondência fixa entre um tipo de ferida e um único curativo. A escolha depende das características da lesão, do objetivo do cuidado e das propriedades da cobertura. Logo, cada caso deve ser observado a partir das necessidades do paciente.
As coberturas de espuma são utilizadas em diferentes situações e têm papel importante no manejo do exsudato. Sua estrutura ajuda a absorver o fluido da ferida, contribuindo para o controle da umidade do leito.
Também podem ser utilizadas em feridas com tecido de granulação. A escolha depende do nível de exsudação, da condição da pele ao redor e das demais necessidades da lesão.
Na prática, é preciso avaliar se sua capacidade de absorção é compatível com a quantidade de exsudato e com o objetivo do tratamento.
Os alginatos entram em contato com o exsudato e podem formar um gel no leito da ferida. Essa característica faz com que esses produtos sejam considerados, principalmente, quando existe necessidade de manejar o exsudato e, em alguns casos e situações, preencher cavidades.
A condição da ferida continua sendo determinante. Uma cobertura voltada ao manejo de exsudato não terá a mesma função diante de um leito seco.
Também é importante não confundir a propriedade da cobertura com uma promessa de cicatrização. Em úlceras de pé relacionadas ao diabetes, por exemplo, a IWGDF não recomenda alginatos com a finalidade específica de promover a cicatrização, diante da baixa certeza de benefício observada nos estudos.
Os hidrocoloides interagem com o exsudato e formam um gel, contribuindo para manter um ambiente úmido no leito. Podem ser considerados em determinadas feridas com níveis menores de exsudação, de acordo com as características da lesão e da cobertura.
O volume de exsudato, porém, é apenas uma parte da decisão. O estado do leito, a pele ao redor e o objetivo do tratamento também precisam ser considerados na análise. É por isso que conhecer o funcionamento de uma cobertura ajuda, mas não substitui a avaliação da ferida.
As coberturas com prata têm propriedades antimicrobianas e podem fazer parte do manejo de determinadas feridas quando há preocupação com a carga microbiana. Isso não significa que seu uso seja indicado para qualquer lesão ou que deva ser adotado apenas para acelerar a cicatrização.
A decisão depende da avaliação clínica e do objetivo do tratamento. Diretrizes para úlceras de pé relacionadas ao diabetes, por exemplo, recomendam não utilizar agentes antimicrobianos tópicos com a finalidade de promover a cicatrização.
A B. Braun possui soluções com prata para o gerenciamento de feridas, entre elas o Askina® Calgitrol® Ag. O produto combina uma matriz de alginato de prata com uma camada de espuma de poliuretano, reunindo as propriedades de absorção do exsudato e ação antimicrobiana.
Vale frisar que a utilização deve seguir as indicações do produto e a avaliação do profissional responsável pelo cuidado.
Em algumas feridas, controlar o exsudato é uma das principais necessidades. Quando o volume é elevado, uma cobertura com maior capacidade de absorção e retenção pode ajudar a manejar o fluido e proteger a pele ao redor.
É nesse contexto que entram os curativos absorventes e superabsorventes. A escolha depende da quantidade de exsudato, das características da cobertura e das condições da ferida.
O manejo do exsudato precisa manter um equilíbrio entre controle da umidade, proteção da pele e condições adequadas para a evolução da ferida. Por isso, é sempre importante seguir as recomendações médicas.
O hidrogel pode ser encontrado como uma pomada ou um tipo de cobertura. Esse polímero, que conta com 98% de água na sua composição, auxilia a fazer a limpeza e a descontaminar a ferida. O Prontosan® Gel é o hidrogel da B. Braun.
Esse tipo de produto é o ideal quando o leito está muito seco, em casos de queimadura ou necroses.
A escolha fica mais clara quando a avaliação da ferida vem primeiro. E uma forma prática de organizar esse raciocínio é a seguinte:
Característica da ferida → necessidade → característica da cobertura
Uma ferida com exsudato elevado pode exigir uma cobertura com maior capacidade de absorção. Um leito seco pede outra abordagem, com um hidrogel, por exemplo. Diante de uma preocupação relacionada à carga microbiana, uma cobertura antimicrobiana pode ser considerada quando houver indicação clínica.
Essa lógica evita que a escolha seja feita apenas pelo nome ou pela categoria do produto.
Também entram na decisão o conforto do paciente, a proteção da pele, a frequência de troca, a facilidade de aplicação e os recursos disponíveis. Todos esses fatores podem influenciar a escolha e a continuidade do cuidado.
Antes de fazer o curativo, é sempre importante olhar para as condições do leito e para aquilo que pode estar dificultando a evolução da ferida, segundo o estudo Sistematização de curativos para o tratamento clínico das feridas.
A limpeza ajuda a remover resíduos e materiais presentes na superfície. Em situações específicas, o desbridamento, que é a retirada do tecido morto, pode ser indicado para tirar tecido desvitalizado e preparar o leito para as etapas seguintes do cuidado. A técnica e o momento dependem da avaliação clínica.
Depois disso, é necessário cuidar do curativo e colocar uma cobertura que auxilie na cicatrização a partir das demandas do quadro do paciente.
Vale reforçar que o biofilme é relevante nas feridas crônicas que apresentam dificuldade de evolução. Seu possível papel na persistência da lesão reforça a necessidade de uma estratégia de manejo que não se limite à escolha da cobertura.
É essa integração que dá sentido ao curativo. Limpeza, preparação do leito, tratamento da causa da ferida e escolha da cobertura precisam trabalhar na mesma direção.
Um erro frequente na hora de escolher o curativo é olhar apenas para a quantidade de exsudato. Por mais que ele possa demonstrar a evolução, ele não é o único fator a ser observado. Também é preciso considerar o tecido presente, a condição da pele ao redor, a causa da ferida e o objetivo do tratamento, afinal, todas essas informações influenciam na escolha.
Outro problema é manter o tipo de cobertura sem alteração, mesmo depois que a ferida mudou. O leito pode apresentar novas características ao longo do tratamento, e a estratégia precisa acompanhar essa evolução.
O uso indiscriminado de coberturas antimicrobianas também merece atenção. No caso da prata, sua utilização precisa estar relacionada ao contexto clínico e ao objetivo do cuidado, e não à ideia de que toda ferida precisa de uma cobertura antimicrobiana.
Por fim, concentrar toda a estratégia no curativo pode deixar outros fatores importantes em segundo plano. A causa da ferida, as condições do paciente, a preparação do leito e o acompanhamento da evolução também fazem parte do cuidado.
Conhecer os diferentes tipos de curativos amplia as possibilidades de cuidado. A escolha da cobertura começa sempre pela avaliação da ferida e pela compreensão do que ela precisa naquele momento.
À medida que o leito muda, o exsudato diminui ou aumenta e o tecido se modifica, a estratégia vai precisar mudar com ele. É por isso que a cobertura faz mais sentido quando está integrada ao acompanhamento da evolução da ferida.
A B. Braun reúne soluções para diferentes necessidades do tratamento de feridas, incluindo preparação do leito, manejo do exsudato e controle da infecção. Se quiser entender como elas podem participar e contribuir com o cuidado das suas feridas, é só acessar a página de Tratamento de Feridas da B. Braun para conferir os mais variados tipos de curativos para diferentes necessidades do manejo de feridas.